A CULTURA

 

A cultura engloba tudo o que diz respeito a uma sociedade étnica:

 

 

 

 

 

Usos de comer

Usos de sistemas agrícolas

Usos de educação

Maneiras de vestir

A religião

CULTURA                                   cerimónias

As festas

A dança

A música

O artesanato

A arte

      

 

 

 

 

Vamos, agora, tratar apenas da parte da arte tradicional.

Arte e Artesanato

Qual é a diferença entre a arte e o artesanato?

Em geral, artesanato são produtos para uso, como por exemplo, objectos de cerâmica, panos de tecelões, cestos, esculturas de colheres, sintas, pilões e panelas.

Isto não significa que estes produtos não possam mostrar um trabalho bonito, mesmo artístico, e mostrar o talento da pessoa que os realizou. Às vezes, é difícil identificar-se a diferença entre a arte e o artesanato. Por exemplo, bonecas de madeira comerciais são artesanato mas, bonecas feitas por um escultor de fama são consideradas como sendo arte.

 

ARTE TRADICIONAL DA GUINÉ-BISSAU

Introdução

A arte tradicional da Guiné-Bissau não pode ser vista separadamente da religião. A arte está ligada com a vida sobrenatural. Por meio de estátuas é possível comunicar com os Irãs e com os antecedentes.

Estas estátuas são feitas segundo as regras obrigatórias. Isto, contrasta com a arte moderna da Europa e da América, onde a arte é uma expressão individual sem obrigações de seguimento de regras. A arte, em princípio, não é integrada na vida quotidiana.

Hoje em dia na Guiné-Bissau existem também artistas modernos, mas não vamos aqui referi-los.

Quando falamos sobre arte tradicional trata-se, sobretudo, da escultura e da pintura. Agora pode notar-se já a influência da vida moderna nas formas de arte.

Ainda há poucos escultores, e por exemplo as estátuas de Nalus feitas hoje em dia, já não têm a função que tinham antigamente.

De todas as etnias, a arte dos Bijagós é a que ainda subsiste. Eram os Bijagós, os Nalus, os Pepeis e Manjacos que tinham fama de produzir boas esculturas.

 

 

 

 

 

 

 

 

A arte dos Bijagós

Segundo uma lenda antiga, a vida nos Bijagós teria começado assim:

Deus, o Criador existia.

No início, a ilha de Orango era o mundo. Foi a primeira ilha a existir.

Mais tarde, chegou um homem com a sua mulher Akapakama. Tiveram quatro filhas: Orakuma, Ominka, Ogubane e Oraga.

A seguir vieram os animais e as plantas.

Cada uma das filhas teve várias crianças que, por sua vez, receberam um direito especial do avô:

·           Orakuma, recebeu a terra e fez a primeira estátua do Irã conforme a imagem de Deus.

Ela era responsável pelas cerimónias a realizar na terra. Deu também às suas irmãs o direito de fazerem as cerimónias nas balobas(santuários).

·           Ominka, recebeu o mar e os seus descendentes ocuparam-se da pesca.

·           Oraga, recebeu a natureza com as bolanhas e as palmeiras que a tornaram rica.

·           Ogubane, recebeu o poder da chuva, do vento e o controlo do tempo da chuva.

As quatro faziam o seu trabalho, cada uma da sua maneira. Elas eram diferentes e ao mesmo tempo iguais.

Na sociedade Bijagó, as mulheres desempenham um papel muito importante. Têm direitos especiais, constroem casas, fazem as suas típicas saias e têm as suas próprias cerimónias. As raparigas, segundo esta etnia, são encarnações das pessoas mortas da família ou do clã.

Desde há séculos que a religião e a arte têm um papel muito importante nestas ilhas. Houve sempre muitos artistas na etnia Bijagó. A escultura porém, é um privilégio dos homens.

Na vida dos Bijagós há muitos acontecimentos em que as estátuas e os outros trabalhos de artesanato desempenham um papel importante. No entanto, a produção e mesmo a qualidade dos objectos trabalhados tem diminuído. Desta forma, agora já há poucos escultores que estão autorizados a fazer as estátuas dos “Irãs Grandes”.

Anteriormente, também construíam um banquinho para cada régulo(sobas). Esses bancos chegavam a ter imagens das proezas do régulo. Presentemente, ainda constroem os bancos mas já não são tão perfeitos como outrora.

Em principio, qualquer pessoa pode tornar-se escultor. Alguns começam cedo, com 10 anos por exemplo, e aprendem a técnica com um escultor que já tenha fama. Outros começam tarde, com 30 ou 40 anos.

O Mané começou tarde. Fazia bonecas, mas um dia caiu de uma palmeira e isso impossibilitou-o. Assim, especializou-se em colheres.

Nas ilhas onde ainda há muitos escultores, cada um especializa-se em determinado trabalho.

Tcharte é o filho de um escultor famoso – Banca de Byante. Ele faz bonecas representando diferentes temas. Às vezes, são símbolos tais como um monstro ou uma serpente. Utiliza muita fantasia nos seus trabalhos. Faz também imagens da vida diária, como por exemplo, uma mulher a pilar o arroz ou um homem que vai extrair vinho de uma palmeira. Rapazes que vão ao fanado(circunscisão)é um tema favorito por Tcharte. O estilo dele é caracterizado pelos ornamentos com decorações dentadas.

Presentemente, existe um maior desenvolvimento neste tipo de arte, em virtude da procura que se verifica por parte das lojas em Bissau. Por isso, muitos jovens de Bubaque, como Augusto Opis, fazem estátuas comerciáveis. As esculturas de mulheres são as mais procuradas. Os barcos porém, também atraem a atenção das pessoas. No entanto, é raro aparecerem representações do trabalho dos homens a lavrarem os campos.

Em Angumba, Canhabaque, não encontramos muitos escultores, por isso Ompane executa diversos tipos de trabalho. Tanto Irãs Grandes, como bonecas e objectos de uso como colheres. Como não é possível viver só com o dinheiro das estátuas, Ompane dedica-se também à agricultura como muitos outros escultores. Alguns dedicam-se ainda à pesca.

Sobretudo no Orango, mas também em Canhabaque, executam bonitos ornamentos que colocam no corpo para dançar. É o caso dos escudos e dos enfeites para a cabeça.

As estátuas do Irã Grande infelizmente têm desaparecido das balobas (santuários) para serem vendidas em Bissau. Os Bijagós, no entanto, continuam a ser conhecidos como um povo de artistas.

Panos tradicionais